Pesquisa & Inovação
Fonte: MIT Technology Review

Satélites Interferem na Astronomia: Impacto no Observatório Vera Rubin

O Observatório Vera Rubin, que mapeia o universo, enfrenta um desafio: até 40% de suas imagens podem ser comprometidas por satélites, ameaçando a ciência espacial.

Satélites Interferem na Astronomia: Impacto no Observatório Vera Rubin

O Observatório Vera Rubin, um projeto ambicioso de US$ 800 milhões, iniciou sua missão de uma década para criar um filme detalhado do universo. Com uma capacidade sem precedentes de capturar estrelas, este observatório revolucionário também se depara com um número significativamente maior de satélites em suas imagens. Este fenômeno crescente levanta sérias preocupações para a comunidade científica.

O Desafio dos Satélites para a Astronomia

Desde o início de suas operações, o Vera Rubin Observatory tem notado que até 40% de suas imagens podem ser afetadas por rastros de satélites. Esta interferência não é apenas um incômodo visual; ela representa uma ameaça direta à precisão e integridade dos dados astronômicos coletados. A poluição luminosa causada por estas constelações de satélites, como a Starlink da SpaceX, está se tornando um problema global para os astrônomos.

Impacto na Observação do Universo Profundo

O principal objetivo do Vera Rubin é mapear o céu noturno em uma escala e profundidade nunca antes vistas, buscando compreender matéria escura, energia escura e outros mistérios cosmológicos. A presença constante de satélites brilhantes, especialmente ao amanhecer e anoitecer, pode ocultar objetos celestes fracos e interferir na capacidade do telescópio de detectar mudanças sutis no universo. Isso pode levar a dados incompletos ou errôneos, comprometendo anos de pesquisa.

As trilhas deixadas pelos satélites não apenas obscurecem partes das imagens, mas também podem saturar os sensores dos telescópios, criando artefatos que exigem um processamento de dados complexo e demorado para serem removidos – se é que podem ser removidos completamente. Esse esforço adicional desvia recursos e tempo que poderiam ser dedicados à análise científica.

A Expansão das Constelações de Satélites

O número de satélites em órbita terrestre baixa (LEO) tem crescido exponencialmente, impulsionado pela demanda por internet de banda larga global. Empresas como a SpaceX e a OneWeb planejam lançar dezenas de milhares de satélites nas próximas décadas. Embora esses satélites ofereçam benefícios em termos de conectividade, sua proliferação tem consequências não intencionais para a ciência espacial e a observação astronômica.

Buscando Soluções e Mitigação

A comunidade astronômica está ativamente buscando soluções para mitigar este impacto. Isso inclui o desenvolvimento de novas técnicas de processamento de imagem para filtrar os rastros de satélites, bem como o diálogo com as empresas de satélites para explorar métodos que tornem os satélites menos reflexivos. Iniciativas como o uso de revestimentos antirreflexivos ou o escurecimento de partes dos satélites já estão sendo consideradas.

Além das soluções tecnológicas, há um apelo crescente por políticas regulatórias internacionais para gerenciar o tráfego e a luminosidade dos satélites. A proteção do céu noturno para a pesquisa científica e a apreciação humana é um patrimônio que exige atenção global. O Observatório Vera Rubin é um testemunho da nossa curiosidade sobre o universo, e seu sucesso depende da capacidade de superar esses novos desafios impostos pelo avanço tecnológico.

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